É Sábado, vim trabalhar como sempre.
A porta pesada, que se arrasta ao abrir, cria a expectativa de que estará do outro lado.
O ambiente aqui dentro é acolhedor, a alma das pessoas que por aqui passaram e passam, está agarrada às paredes altissímas, pintadas de tons coloridos.
A sala de chá está vazia hoje. Não se ouve o burburinho das vozes e os risos, nem se sente o aroma a chá quente e a convívio.
Na sala grande decorre um curso de perspectiva. Os alunos, muito concentrados, aprendem as linhas condutoras da realidade à sua volta. Os fios invisiveis, que tocam o nosso olhar, sem que nos apercebamos da sua existência.
Aprendem as inclinações e os planos da vida e como ter um olhar de quem realmente vê, e não de quem se limita a olhar.
A professora, alta e loira, parece saida de um qualquer colégio inglês. Fala com os alunos num tom de voz tímido mas firme. E os seus passos, que mal se ouvem, dão a sensação de que flutua pela sala.
Está tanto vento que me sinto como se estivesse dentro de uma caixa de papel. Sentada ao computador vou respondendo aos e-mails que chegaram durante a noite.
O ar entra pelas frinchas das janelas e os vidros abanam. As folhas de papel mexem-se sozinhas como se alguém estivesse a soprar constantemente.
A chuva anunciada para a madrugada de hoje tarda a vir, e ainda bem...
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