Reparei em ti no eléctrico. O olhar distante e triste, a cara inchada pelas horas de sono perdidas. Parecia que carregavas às costas todos os problemas do mundo.
De vez em quando o teu olhar tinha um brilhozinho, como se, de repente, encontrasses a solução para algo que te preocupava. Esse brilho durava apenas um segundo, mas tornava-te, por instantes, noutra pessoa.
Uns olhos pequenos e doces surgiam no meio da névoa que era a tua expressão há minutos atrás.
Duvido que estivesses a ouvir a música que os teus headphones gritavam. Olhavas pela janela e procuravas uma réstia de sol que teimava em não aparecer. Pingos grossos de chuva começaram a bater no vidro.....
Suspiraste e puseste uns óculos de sol que te tapavam quase toda a cara, redonda e jovem. Mas nem esses conseguiam esconder-TE. Encostaste a cabeça ao vidro e perdi de novo os teus olhos cor de amêndoa.
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