quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Os autocarros podem ser sítios estranhos, onde nos sentimos como se fôssemos transportados numa nave espacial vinda de outro mundo.

Hoje tive essa sensação ao voltar para casa. O autocarro estava anormalmente cheio. À minha frente, entrou uma família, julgo que avós, filha e o neto. Por coincidência ficaram sentados mesmo à minha frente o que fez com que fosse inevitável observá-los e escutar o vomitar de palavras sem nexo, para qualquer pessoa minimamente normal.

A avó tinha-se esquecido de pentear o cabelo que se colava à cara e que "abria" no alto da sua cabeça, mostrando o couro cabeludo. As madeixas, em dois castanhos completamente opostos, coroavam este cenário.

Ao lado sentava-se a filha, cuja raiz do cabelos frisados e mal pintados, ia desde o couro cabeludo até a 3/4 do comprimento do cabelo. O que fazia com que o cabelo fosse grisalho até mais de metade e depois dum tom estranhíssimo de castanho alourado. Usava um anorak dum tom gasto de vermelho, cujas mangas dobradas exibiam um forro às florzinhas azuis. Os mocassins de Verão, amarelos, e as calças de ganga curtas deixavam ver umas meias castanhas com uns ursinhos.

O Avô, sentado no lado oposto, levava uma bóina que parecia ter ganho vida e adquirido as características do cabelo do velhote, parecendo ela própria ter caspa.

O neto...confesso que quando olhei para ele antes de entrar no autocarro pensei: coitadinho é deficiente!
Devia ter uns 14 anos. O cabelo encaracolado e espesso não devia ser lavado ha cerca de 2 ou 3 dias. A boca estava sempre aberta, como se lhe fosse impossível respirar se a fechasse, e o lábios sempre húmidos, como uma criança que se baba constantemente.

Não bastando este cenário de horror, esta família foi o caminho todo, desde a Praça da Figueira até Belém a comentar os horário de TODOS os autocarros, o local para onde ia cada um e se era normal aquele autocarro passar por ali ou não. Mostrando-se espantadissímos cada vez que surgia um número novo!

Do mais novo ao mais velho, todos pareciam mergulhado num estado de estupidez colectiva...

1 comentário:

  1. Ola :)

    Este artigo é do mais cómico que tens aqui, eheh

    eu não uso muito os autocarros, mas ja tive situações em coimbra, nos autocarros urbanos, bastante semelhantes! conseguimos ouvir todo o tipo de conversas absurdas (e se calhar os absurdos somos nós)

    Adorei! :)

    ResponderEliminar