Os autocarros podem ser sítios estranhos, onde nos sentimos como se fôssemos transportados numa nave espacial vinda de outro mundo.
Hoje tive essa sensação ao voltar para casa. O autocarro estava anormalmente cheio. À minha frente, entrou uma família, julgo que avós, filha e o neto. Por coincidência ficaram sentados mesmo à minha frente o que fez com que fosse inevitável observá-los e escutar o vomitar de palavras sem nexo, para qualquer pessoa minimamente normal.
A avó tinha-se esquecido de pentear o cabelo que se colava à cara e que "abria" no alto da sua cabeça, mostrando o couro cabeludo. As madeixas, em dois castanhos completamente opostos, coroavam este cenário.
Ao lado sentava-se a filha, cuja raiz do cabelos frisados e mal pintados, ia desde o couro cabeludo até a 3/4 do comprimento do cabelo. O que fazia com que o cabelo fosse grisalho até mais de metade e depois dum tom estranhíssimo de castanho alourado. Usava um anorak dum tom gasto de vermelho, cujas mangas dobradas exibiam um forro às florzinhas azuis. Os mocassins de Verão, amarelos, e as calças de ganga curtas deixavam ver umas meias castanhas com uns ursinhos.
O Avô, sentado no lado oposto, levava uma bóina que parecia ter ganho vida e adquirido as características do cabelo do velhote, parecendo ela própria ter caspa.
O neto...confesso que quando olhei para ele antes de entrar no autocarro pensei: coitadinho é deficiente!
Devia ter uns 14 anos. O cabelo encaracolado e espesso não devia ser lavado ha cerca de 2 ou 3 dias. A boca estava sempre aberta, como se lhe fosse impossível respirar se a fechasse, e o lábios sempre húmidos, como uma criança que se baba constantemente.
Não bastando este cenário de horror, esta família foi o caminho todo, desde a Praça da Figueira até Belém a comentar os horário de TODOS os autocarros, o local para onde ia cada um e se era normal aquele autocarro passar por ali ou não. Mostrando-se espantadissímos cada vez que surgia um número novo!
Do mais novo ao mais velho, todos pareciam mergulhado num estado de estupidez colectiva...
Ola :)
ResponderEliminarEste artigo é do mais cómico que tens aqui, eheh
eu não uso muito os autocarros, mas ja tive situações em coimbra, nos autocarros urbanos, bastante semelhantes! conseguimos ouvir todo o tipo de conversas absurdas (e se calhar os absurdos somos nós)
Adorei! :)