Ainda me lembro do dia em que nos conhecemos e das gargalhadas que trocámos naquela esplanada de Alvalade.
Eu de cachecol comprido, quase até aos pés, com o qual brincava para esconder a atrapalhação própria da enorme timidez de que sofria na altura.
Tu com um ar muito descontraído (se a memória não me falha de t-shirt azul escura, um bocadinho desgastada pelo tempo), cabelo eriçado, olhos pestanudos e um sorriso maroto que me conquistou imediatamente.
Julgo que era hora de almoço. Lembro-me que a fome era nula. Mas a minha recordação mais nítida desse dia é a da conversa que os nossos olhos conduziram.
Uma conversa silenciosa, à revelia do que o que a nossa boca dizia. Uma conversa que só nós ouvimos e sentimos e que nos ligou para sempre.
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