quinta-feira, 15 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
25 Ódios de Estimação
1 - Camarão, lulas, polvo, lagosta, choco, caracóis, percebes e todo o tipo de coisas viscosas que um dia alguém decidiu que era bom para comer só porque estava com uma enorme bebedeira.
2 - Tá bem linda, sim linda, estás boa linda....grrrrrrrr - será que não sabes o meu nome ou é mesmo preguiça mental para arranjares um nickname mais imaginativo?
3 - Sobrancelhas mal arranjadas.
4 - Pombos.
5 - Roupas com borbotos.
6 - Ovos mal passados.
7 - Ir a um café e dizer: - Queria um um sumo por favor. - e o empregado responder: - Queria ou quer?
Olha que piada e uma bolachada nessa cara, querias ou queres?
8 - Pessoas que cospem para o chão.
9 - Vozes gritantes ou cacarejantes.
10 - Vinho e café.
11 - Pessoas que me ignoram.
12 - Atrasos.
13 - Muito calor.
14 - Ouvir alguém dizer: - Estou a suar! - os porcos suam, as pessoas transpiram, pelo menos aquelas com classe, os outros podem suar à vontade desde que não o façam perto de mim.
15 - coisas estupidamente doces.
16 - Baratas e gafanhotos.
17 - Pessoas que não me deixam acabar de falar.
18 - Cheiro a tabaco.
19 - Surpresas.
20 - Que me cantem os parabéns.
21 - Beijos nas orelhas (lambidelas ainda é pior!) e cócegas.
22 - Os anormais que vão no autocarro com o telemóvel a "dar música a todos os passageiros".
23 - Pó e roupa para passar a ferro.
24 - Homens sem pêlos nas axilas e nas pernas.
25 - Crianças mal educadas, aliás pessoas mal educadas em geral.
2 - Tá bem linda, sim linda, estás boa linda....grrrrrrrr - será que não sabes o meu nome ou é mesmo preguiça mental para arranjares um nickname mais imaginativo?
3 - Sobrancelhas mal arranjadas.
4 - Pombos.
5 - Roupas com borbotos.
6 - Ovos mal passados.
7 - Ir a um café e dizer: - Queria um um sumo por favor. - e o empregado responder: - Queria ou quer?
Olha que piada e uma bolachada nessa cara, querias ou queres?
8 - Pessoas que cospem para o chão.
9 - Vozes gritantes ou cacarejantes.
10 - Vinho e café.
11 - Pessoas que me ignoram.
12 - Atrasos.
13 - Muito calor.
14 - Ouvir alguém dizer: - Estou a suar! - os porcos suam, as pessoas transpiram, pelo menos aquelas com classe, os outros podem suar à vontade desde que não o façam perto de mim.
15 - coisas estupidamente doces.
16 - Baratas e gafanhotos.
17 - Pessoas que não me deixam acabar de falar.
18 - Cheiro a tabaco.
19 - Surpresas.
20 - Que me cantem os parabéns.
21 - Beijos nas orelhas (lambidelas ainda é pior!) e cócegas.
22 - Os anormais que vão no autocarro com o telemóvel a "dar música a todos os passageiros".
23 - Pó e roupa para passar a ferro.
24 - Homens sem pêlos nas axilas e nas pernas.
25 - Crianças mal educadas, aliás pessoas mal educadas em geral.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Ainda me lembro do dia em que nos conhecemos e das gargalhadas que trocámos naquela esplanada de Alvalade.
Eu de cachecol comprido, quase até aos pés, com o qual brincava para esconder a atrapalhação própria da enorme timidez de que sofria na altura.
Tu com um ar muito descontraído (se a memória não me falha de t-shirt azul escura, um bocadinho desgastada pelo tempo), cabelo eriçado, olhos pestanudos e um sorriso maroto que me conquistou imediatamente.
Julgo que era hora de almoço. Lembro-me que a fome era nula. Mas a minha recordação mais nítida desse dia é a da conversa que os nossos olhos conduziram.
Uma conversa silenciosa, à revelia do que o que a nossa boca dizia. Uma conversa que só nós ouvimos e sentimos e que nos ligou para sempre.
Eu de cachecol comprido, quase até aos pés, com o qual brincava para esconder a atrapalhação própria da enorme timidez de que sofria na altura.
Tu com um ar muito descontraído (se a memória não me falha de t-shirt azul escura, um bocadinho desgastada pelo tempo), cabelo eriçado, olhos pestanudos e um sorriso maroto que me conquistou imediatamente.
Julgo que era hora de almoço. Lembro-me que a fome era nula. Mas a minha recordação mais nítida desse dia é a da conversa que os nossos olhos conduziram.
Uma conversa silenciosa, à revelia do que o que a nossa boca dizia. Uma conversa que só nós ouvimos e sentimos e que nos ligou para sempre.
terça-feira, 1 de junho de 2010
O rancho da aldeia está hoje em reboliço!
Faltam apenas algumas horas para a festa.
Os anciões sentam-se num banco corrido à porta do salão paroquial enquanto, lá dentro, se ouvem cantares e os pés que batem na madeira numa cadência que eles reconhecem e que os leva a relembrar a sua própria juventude.
Adultos e crianças acertam os passos decorados nas últimas semanas, repetindo-os vezes sem conta. Os mais pequenos seguem os adultos com atenção e nem mesmo o cansaço e a vontade de ir brincar os desconcentram.
Os músicos, sentados no canto da sala do salão paroquial, afinam os instrumentos. O coreto da praça da igreja será hoje o palco para a sua actuação.
As meninas tiraram os seus tesouros do guarda-jóias. Os brincos que eram da avó, o cordão de ouro oferecido pela madrinha e a pregadeira que segura o lenço colorido que trazem sobre os ombros.
Os trajes engomados na perfeição estão pendurados num varão da parede. Todos seguidos formam um arco-íris de cores vivas. As camisas brancas, esfregadas com sabão no tanque junto ao rio, reflectem a luz que entra pela janela.
O Sr. Padre observa com orgulho a dedicação dos seus paroquianos que dão vida às tradições da aldeia.
Faltam apenas algumas horas para a festa.
Os anciões sentam-se num banco corrido à porta do salão paroquial enquanto, lá dentro, se ouvem cantares e os pés que batem na madeira numa cadência que eles reconhecem e que os leva a relembrar a sua própria juventude.
Adultos e crianças acertam os passos decorados nas últimas semanas, repetindo-os vezes sem conta. Os mais pequenos seguem os adultos com atenção e nem mesmo o cansaço e a vontade de ir brincar os desconcentram.
Os músicos, sentados no canto da sala do salão paroquial, afinam os instrumentos. O coreto da praça da igreja será hoje o palco para a sua actuação.
As meninas tiraram os seus tesouros do guarda-jóias. Os brincos que eram da avó, o cordão de ouro oferecido pela madrinha e a pregadeira que segura o lenço colorido que trazem sobre os ombros.
Os trajes engomados na perfeição estão pendurados num varão da parede. Todos seguidos formam um arco-íris de cores vivas. As camisas brancas, esfregadas com sabão no tanque junto ao rio, reflectem a luz que entra pela janela.
O Sr. Padre observa com orgulho a dedicação dos seus paroquianos que dão vida às tradições da aldeia.
O jardim do museu está cheio de crianças. As gargalhadas e o entusiasmo propagam-se numa nuvem sonora que envolve o espaço.
Os instrumentos, feitos em materiais reciclados, são usados para dar ritmo às músicas que cantam com vozes fininhas e afinadas.
Alguns deitam-se no relvado a fazer desenhos que pintam com pinceladas largas. Outros descobrem texturas fazendo pequenas figuras em barro, com as quais inventam histórias em que as personagens apenas obedecem à regra da imaginação.
Um grupo, sentado em roda, fecha os olhos. As suas mãos pequeninas sentem a textura da terra molhada. O cheiro fresco e aromático entra-lhes pelas narinas, misturado com o cheiro adocicado das flores que colocam agora, de olhos abertos, em pequenos vasos vermelhos, à sua frente.
Pedaços de papel colorido recortado dão forma a passarinhos e borboletas que, na sua ausência, cuidarão de todas as plantas.
As borboletas que desenharam são penduradas em fios de nylon, esticados entre as árvores, e ganham vida quando sopradas pelo vento. Enquanto que os passarinhos, colados em pequenas estacas, pousam na relva fresca.
Ao fim da tarde, já cansadas de tanta brincadeira, ouvem a professora que lhes lê uma história.
Os pais estão quase a chegar e todos se sentem ansiosos por mostrar os seus trabalhos. Os desenhos, os instrumentos e as figuras de barro criadas ao longo do dia são dispostos na relva que ganha um colorido de arco-íris.
Os instrumentos, feitos em materiais reciclados, são usados para dar ritmo às músicas que cantam com vozes fininhas e afinadas.
Alguns deitam-se no relvado a fazer desenhos que pintam com pinceladas largas. Outros descobrem texturas fazendo pequenas figuras em barro, com as quais inventam histórias em que as personagens apenas obedecem à regra da imaginação.
Um grupo, sentado em roda, fecha os olhos. As suas mãos pequeninas sentem a textura da terra molhada. O cheiro fresco e aromático entra-lhes pelas narinas, misturado com o cheiro adocicado das flores que colocam agora, de olhos abertos, em pequenos vasos vermelhos, à sua frente.
Pedaços de papel colorido recortado dão forma a passarinhos e borboletas que, na sua ausência, cuidarão de todas as plantas.
As borboletas que desenharam são penduradas em fios de nylon, esticados entre as árvores, e ganham vida quando sopradas pelo vento. Enquanto que os passarinhos, colados em pequenas estacas, pousam na relva fresca.
Ao fim da tarde, já cansadas de tanta brincadeira, ouvem a professora que lhes lê uma história.
Os pais estão quase a chegar e todos se sentem ansiosos por mostrar os seus trabalhos. Os desenhos, os instrumentos e as figuras de barro criadas ao longo do dia são dispostos na relva que ganha um colorido de arco-íris.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Joaquim anda na escola da aldeia com apenas dez colegas. São três rapazes entre sete raparigas!
Joaquim, Pedro e Francisco são amigos e vizinhos neste pequeno aglomerado de casas que se encostam à serra.
As manhãs de estudo trazem tardes de brincadeira no terreno do Tio Manuel e da Tia Rosa, um casal de velhotes que se sentam em cadeiras de baloiço a observar os filhos da aldeia…
Vêem-nos como uma porção de netos que vieram apaziguar a sua solidão, dando vida ao terreno que possuem na parte de trás da Câmara Municipal.
As meninas jogam ao jogo do elástico como se de acrobatas se tratassem. Os rapazes olham-nas de soslaio, entre as jogadas ao berlinde, apostando, entre sorrisinhos cúmplices, que uma de delas se há-de enrolar naquele emaranhado.
No entanto, como por magia, as raparigas dão algumas voltas certeiras que as fazem escapar daquela teia elástica, deixando-os de boca aberta.
A meio da tarde já todos se cansaram de brincar separados uns dos outros, pelo que, depois duma disputa pelos melhores companheiros de equipa, decidem jogar ao jogo da “mamã dá licença” em que todos podem participar.
As gargalhadas das crianças ecoam pela aldeia e provocam sorrisos entre os adultos.
Os jogos sucedem-se e as vozes agudas entoam lengalengas ensinadas pelos pais e avós:
Cabra-cega, donde vens?
Venho da Serra.
O que me trazes?
Trago bolinhos de canela.
Dá-me um!
Não dou.
Ao fim do dia as mães juntam-se às crianças naquele pequeno paraíso. Está na hora do jantar e todos devem recolher às suas casas. Amanhã será um novo dia de brincadeiras.
Joaquim, Pedro e Francisco são amigos e vizinhos neste pequeno aglomerado de casas que se encostam à serra.
As manhãs de estudo trazem tardes de brincadeira no terreno do Tio Manuel e da Tia Rosa, um casal de velhotes que se sentam em cadeiras de baloiço a observar os filhos da aldeia…
Vêem-nos como uma porção de netos que vieram apaziguar a sua solidão, dando vida ao terreno que possuem na parte de trás da Câmara Municipal.
As meninas jogam ao jogo do elástico como se de acrobatas se tratassem. Os rapazes olham-nas de soslaio, entre as jogadas ao berlinde, apostando, entre sorrisinhos cúmplices, que uma de delas se há-de enrolar naquele emaranhado.
No entanto, como por magia, as raparigas dão algumas voltas certeiras que as fazem escapar daquela teia elástica, deixando-os de boca aberta.
A meio da tarde já todos se cansaram de brincar separados uns dos outros, pelo que, depois duma disputa pelos melhores companheiros de equipa, decidem jogar ao jogo da “mamã dá licença” em que todos podem participar.
As gargalhadas das crianças ecoam pela aldeia e provocam sorrisos entre os adultos.
Os jogos sucedem-se e as vozes agudas entoam lengalengas ensinadas pelos pais e avós:
Cabra-cega, donde vens?
Venho da Serra.
O que me trazes?
Trago bolinhos de canela.
Dá-me um!
Não dou.
Ao fim do dia as mães juntam-se às crianças naquele pequeno paraíso. Está na hora do jantar e todos devem recolher às suas casas. Amanhã será um novo dia de brincadeiras.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Clara e os colegas esperaram ansiosamente por este dia, desde que a professora Raquel lhes comunicou que iriam fazer uma visita ao museu.
Todos sentem o museu como um local mágico, com cheiro a descobertas, que lhes traz sempre algo novo para aprenderem e onde gostam de sonhar sentados no chão a sentir o frio das lajes antigas.
De bicos de pés espreitam as vitrines que exibem objectos para os quais cada uma imagina as mais diversas funções.
Dividem-se em pequenos grupos e exploram as áreas de que mais gostam.
Clara senta-se em frente a um dos painéis a observar.
Ali sentada deixa-se embalar pelo som do acordeão e do bandolim pendurados na parede ao lado. Fazem-lhe companhia os caretos que não se cansam de chocalhar. Dos painéis saltam os pauliteiros que acrescentam ritmo à música. As varinas suspendem o pregão para oferecerem voz a esta melodia, que também conta com um grupo de cantares alentejanos.
As cores vivas dos trajes dos convivas neste baile espalham-se por toda a sala misturados com o brilho dos cordões das meninas namoradeiras e dos brincos de filigrana.
A professora chama as crianças que despertam dos sonhos que aquela atmosfera lhes traz: o sonho de um museu que é delas e onde deixam um pouco de cada um em cada visita.
Todos sentem o museu como um local mágico, com cheiro a descobertas, que lhes traz sempre algo novo para aprenderem e onde gostam de sonhar sentados no chão a sentir o frio das lajes antigas.
De bicos de pés espreitam as vitrines que exibem objectos para os quais cada uma imagina as mais diversas funções.
Dividem-se em pequenos grupos e exploram as áreas de que mais gostam.
Clara senta-se em frente a um dos painéis a observar.
Ali sentada deixa-se embalar pelo som do acordeão e do bandolim pendurados na parede ao lado. Fazem-lhe companhia os caretos que não se cansam de chocalhar. Dos painéis saltam os pauliteiros que acrescentam ritmo à música. As varinas suspendem o pregão para oferecerem voz a esta melodia, que também conta com um grupo de cantares alentejanos.
As cores vivas dos trajes dos convivas neste baile espalham-se por toda a sala misturados com o brilho dos cordões das meninas namoradeiras e dos brincos de filigrana.
A professora chama as crianças que despertam dos sonhos que aquela atmosfera lhes traz: o sonho de um museu que é delas e onde deixam um pouco de cada um em cada visita.
Todos os caminhos vão hoje dar à aldeia.
As casas estão enfeitada com flores, bandeirolas de todas as cores e um número sem fim de luzes que, ao anoitecer, iluminarão o "salão de baile" que se instala agora na praça central.
A esplanada do Sr. Gilberto prepara-se para acolher os visitantes. O carrossel, o cinema ambulante, a barraca de tiro ao alvo e outros jogos estão montados. O cheiro a farturas e a bifanas dança no ar ao som dos primeiros acordes que a banda ensaia no coreto.
As meninas casadoiras usam vestidos novos que mandaram fazer na D. Amélia, a costureira. Os rapazes fazem uma visita extra ao barbeiro. Aparar o bigode, fazer a barba e dar um jeitinho ao cabelo é essencial para impressionar as meninas.
Pelas ruas a alegria dos populares sente-se nas gargalhadas, no brilho dos olhos das gentes que deambulam observando as barraquinhas. No jardim da praça central alguns homens juntam-se à conversa. Outros, sentados nas esplanadas improvisadas, jogam às cartas e outros ainda, com grande euforia, jogam à malha.
As mulheres preparam os últimos petiscos e dispõem o artesanato nas barraquinhas. Como um maestro, o pároco orienta-as sob o olhar atento do Sr. Presidente da Câmara que enrola o bigode com impaciência. Enquanto a sua mulher, D. Estrelinha, se encolhe dentro dum vestido às bolinhas.
Algumas crianças correm entre os adultos. Outras divertem-se a a jogar ao berlinde enquanto aguardam que a festa comece.
Há festa na aldeia!
As casas estão enfeitada com flores, bandeirolas de todas as cores e um número sem fim de luzes que, ao anoitecer, iluminarão o "salão de baile" que se instala agora na praça central.
A esplanada do Sr. Gilberto prepara-se para acolher os visitantes. O carrossel, o cinema ambulante, a barraca de tiro ao alvo e outros jogos estão montados. O cheiro a farturas e a bifanas dança no ar ao som dos primeiros acordes que a banda ensaia no coreto.
As meninas casadoiras usam vestidos novos que mandaram fazer na D. Amélia, a costureira. Os rapazes fazem uma visita extra ao barbeiro. Aparar o bigode, fazer a barba e dar um jeitinho ao cabelo é essencial para impressionar as meninas.
Pelas ruas a alegria dos populares sente-se nas gargalhadas, no brilho dos olhos das gentes que deambulam observando as barraquinhas. No jardim da praça central alguns homens juntam-se à conversa. Outros, sentados nas esplanadas improvisadas, jogam às cartas e outros ainda, com grande euforia, jogam à malha.
As mulheres preparam os últimos petiscos e dispõem o artesanato nas barraquinhas. Como um maestro, o pároco orienta-as sob o olhar atento do Sr. Presidente da Câmara que enrola o bigode com impaciência. Enquanto a sua mulher, D. Estrelinha, se encolhe dentro dum vestido às bolinhas.
Algumas crianças correm entre os adultos. Outras divertem-se a a jogar ao berlinde enquanto aguardam que a festa comece.
Há festa na aldeia!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Aquele foi, sem dúvida, um dia marcante nas suas vidas. A relação entre os dois sempre tinha sido atribulada, mas chegava agora o momento em que os dois estavam preparados para se entregarem à partilha dos seus sentimentos, dúvidas, preocupações, sem julgamentos, apenas com o amor que tinham para dar um ao outro.
Ele sempre se tinha deixado levar pelos problemas, vivia mergulhado na tristeza, absorvido pelo que os outros poderiam pensar dos momentos menos felizes da sua vida. Tratava-a com paternalismo, utilizando quase sempre a desculpa da experiência de vida que ele tinha e que a ela lhe faltava.
Essa perspectiva da vida, e a maneira como ele lidava com ela, sempre lhe tinha provocado uma irritação sem limites, o que motivava, quase sempre, os conflitos entre os dois.
Nesse dia ela ensinou-o a viver.
Mostrou-lhe como ser feliz.
Já nada é o mesmo.
Ele sempre se tinha deixado levar pelos problemas, vivia mergulhado na tristeza, absorvido pelo que os outros poderiam pensar dos momentos menos felizes da sua vida. Tratava-a com paternalismo, utilizando quase sempre a desculpa da experiência de vida que ele tinha e que a ela lhe faltava.
Essa perspectiva da vida, e a maneira como ele lidava com ela, sempre lhe tinha provocado uma irritação sem limites, o que motivava, quase sempre, os conflitos entre os dois.
Nesse dia ela ensinou-o a viver.
Mostrou-lhe como ser feliz.
Já nada é o mesmo.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
A 13 de Setembro de 1988 nasceu a Ana. Foi para nossa casa, onde estava acompanhada todo o dia, e depressa se tornou na nossa irmã mais nova. Tomávamos conta dela como se de um boneco se tratasse, mas o que nos entusiasmava mesmo era o facto de ter entrado no nosso mundo mais “um de nós”, mais uma cabeça a inventar brincadeiras mirabolantes.
A Ana era uma criança diferente, arisca e muito introvertida, que um dia sonhou chamar-se Lídia. Na adolescência, ao contrário dos colegas, não sabia que carreira seguir, e era frequente senti-la um pouco perdida; numa luta constante entre rebeldia e timidez.
Embora tivéssemos uma diferença de 7 anos sempre consegui ler todos os pequenos sinais que escondiam as suas preocupações e dúvidas, próprias da idade.
Talvez porque tivéssemos traços de personalidade semelhantes nunca tivémos problemas de comunicação. Ambas sabíamos os limites uma da outra e, deste modo, não havia lugar para equívocos.
O espaço era e é muito importante...sempre o soubémos. Não o espaço físico, mas aquele espaço que é só nosso e que precisamos para respirar, para pensar, ou até mesmo para fazermos coisas que nos dão prazer.
Assim nenhuma de nós gostava de muitas perguntas, e mesmo que elas existissem só respondíamos quando queríamos, quando nos sentíamos preparadas para partilhar. Ainda hoje é assim.
A Ana era uma criança diferente, arisca e muito introvertida, que um dia sonhou chamar-se Lídia. Na adolescência, ao contrário dos colegas, não sabia que carreira seguir, e era frequente senti-la um pouco perdida; numa luta constante entre rebeldia e timidez.
Embora tivéssemos uma diferença de 7 anos sempre consegui ler todos os pequenos sinais que escondiam as suas preocupações e dúvidas, próprias da idade.
Talvez porque tivéssemos traços de personalidade semelhantes nunca tivémos problemas de comunicação. Ambas sabíamos os limites uma da outra e, deste modo, não havia lugar para equívocos.
O espaço era e é muito importante...sempre o soubémos. Não o espaço físico, mas aquele espaço que é só nosso e que precisamos para respirar, para pensar, ou até mesmo para fazermos coisas que nos dão prazer.
Assim nenhuma de nós gostava de muitas perguntas, e mesmo que elas existissem só respondíamos quando queríamos, quando nos sentíamos preparadas para partilhar. Ainda hoje é assim.
terça-feira, 30 de março de 2010
Lembram-se como ficavam irritados sempre que os vossos pais ou avós vos diziam "quando tiveres a minha idade vais ver" ou "tu não tens ainda maturidade para perceberes...". Ui! Eu ficava piursa!
Mas efectivamente, agora que tenho quase trinta anos, dou por mim a fazer raciocínios que os meus pais fariam, ou a usar aquela célebre frase "estes miúdos de agora não sabem apreciar a vida".
Ainda hoje me pus a pensar nisso. A vida hoje é tão facilitada que já não se dá o devido valor aos pormenores.
O que diria um miúdo com 15 anos se lhe dissesse que dantes os carros não tinham ar condicionado, e que para ir de Lisboa a Braga levámos horas, à torreira do sol, em filas intermináveis?
E que cara de espanto fariam se lhes dissesse que passava horas a gravar cassetes de compilações para poder ouvir no meu walkman? Saberão eles o que é um walkman?
Será que alguma vez viram descascar ervilhas ou esfolar um coelho?
E se lhes contar que o primeiro computador que tive (Spectrum) funcionava com cassetes?
Terão alguma vez brincado na rua a tarde toda e esfolado os joelhos a jogar futebol num descampado?
E nem por sombras sabem o que é viver sem telemóvel, até eu já fico nervosa quando não o tenho!
Um dia também nós seremos os pais chatos, pois afinal de contas sempre é verdade que mais tarde ou mais cedo os vamos compreender, como eles sempre nos disseram!
Mas efectivamente, agora que tenho quase trinta anos, dou por mim a fazer raciocínios que os meus pais fariam, ou a usar aquela célebre frase "estes miúdos de agora não sabem apreciar a vida".
Ainda hoje me pus a pensar nisso. A vida hoje é tão facilitada que já não se dá o devido valor aos pormenores.
O que diria um miúdo com 15 anos se lhe dissesse que dantes os carros não tinham ar condicionado, e que para ir de Lisboa a Braga levámos horas, à torreira do sol, em filas intermináveis?
E que cara de espanto fariam se lhes dissesse que passava horas a gravar cassetes de compilações para poder ouvir no meu walkman? Saberão eles o que é um walkman?
Será que alguma vez viram descascar ervilhas ou esfolar um coelho?
E se lhes contar que o primeiro computador que tive (Spectrum) funcionava com cassetes?
Terão alguma vez brincado na rua a tarde toda e esfolado os joelhos a jogar futebol num descampado?
E nem por sombras sabem o que é viver sem telemóvel, até eu já fico nervosa quando não o tenho!
Um dia também nós seremos os pais chatos, pois afinal de contas sempre é verdade que mais tarde ou mais cedo os vamos compreender, como eles sempre nos disseram!
sexta-feira, 26 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Não sei porque é que as pessoas têm uma tendência natural para desiludir e magoar as outras. É assim tão difícil esforçarmo-nos para tornar alguém feliz?
A meu ver não, aliás, por vezes, nem implica esforço, apenas sensibilidade.
São os pormenores que alimentam a felicidade das pessoas à nossa volta, as pequenas pedras que tiramos do seu caminho.
Um beijo terno ou apaixonado, um sermão, uma ajuda a transportar as compras, lágrimas e sorrisos, um abraço ou uma visita inesperada, uma sopa quentinha quando estamos doentes, um elogio ao novo penteado com o qual ainda não nos sentimos muito confortáveis, estender a mão para ajudar alguém a atravessar uma estrada, um toque de campainha quando estamos em casa nem nada para fazer, uma solução quando alguém tem um problema, uma festa surpresa, uma boleia...
Poderia continuar a dar exemplos mas, no fundo, a preocupação genuína é a chave da felicidade, e é isso que todos precisamos de entender.
A meu ver não, aliás, por vezes, nem implica esforço, apenas sensibilidade.
São os pormenores que alimentam a felicidade das pessoas à nossa volta, as pequenas pedras que tiramos do seu caminho.
Um beijo terno ou apaixonado, um sermão, uma ajuda a transportar as compras, lágrimas e sorrisos, um abraço ou uma visita inesperada, uma sopa quentinha quando estamos doentes, um elogio ao novo penteado com o qual ainda não nos sentimos muito confortáveis, estender a mão para ajudar alguém a atravessar uma estrada, um toque de campainha quando estamos em casa nem nada para fazer, uma solução quando alguém tem um problema, uma festa surpresa, uma boleia...
Poderia continuar a dar exemplos mas, no fundo, a preocupação genuína é a chave da felicidade, e é isso que todos precisamos de entender.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Durante toda a nossa vida procuramos manter amigos e fazer novos, nos diversos meios em que nos deslocamos, em diversas fases da vida.
Há os amigos de infância, os do secundário, os da universidade, os amigos dos amigos, os vizinhos, os filhos dos amigos dos pais, os amigos dos namorados ou dos namorados dos amigos, os amigos que os pais desaprovariam e aqueles que fazem as suas delícias, os amigos para as festas, os amigos para as desilusões e apertos, e aqueles com quem podemos estar anos sem manter contacto mas que sabemos que estão sempre ali para o que der e vier.
Enfim toda a uma panóplia de conhecimentos que se vão consolidando ou desvanecendo.
Mas aquelas pessoas de quem nada esperamos são, por vezes, aquelas que nos reservam as melhores surpresas.
Há os amigos de infância, os do secundário, os da universidade, os amigos dos amigos, os vizinhos, os filhos dos amigos dos pais, os amigos dos namorados ou dos namorados dos amigos, os amigos que os pais desaprovariam e aqueles que fazem as suas delícias, os amigos para as festas, os amigos para as desilusões e apertos, e aqueles com quem podemos estar anos sem manter contacto mas que sabemos que estão sempre ali para o que der e vier.
Enfim toda a uma panóplia de conhecimentos que se vão consolidando ou desvanecendo.
Mas aquelas pessoas de quem nada esperamos são, por vezes, aquelas que nos reservam as melhores surpresas.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Hoje acordei feliz. A lembrança do teu abraço fez-me sorrir assim que os meus olhos se abriram e viram a luz do sol que entrava pela porta do quarto. O teu cheiro ainda estava nos lençóis e foi como se continuássemos abraçados.
Eram 8 da manhã e o despertador só iria tocar às 9. Apesar de não ter sono fiquei ali a absorver as sensações que as lembranças da noite anterior provocavam em mim.
Eram 8 da manhã e o despertador só iria tocar às 9. Apesar de não ter sono fiquei ali a absorver as sensações que as lembranças da noite anterior provocavam em mim.
E ele perguntou, mas de que é que tu gostas?
Ignorei a pergunta descabida para alguém que me conhece há anos. Mas do meu pensamento não saiam as centenas, talvez milhares, de coisas de que gosto.
Os dias de frio com sol, o cheiro a terra molhada, os morangos frescos e doces, beijos na boca, nadar em água transparente, dormir no sofá, andar à chuva, o cheiro a limpo, sinceridade, comida bem temperada, rir, a canja da minha avó, crianças, pés molhados, sapatos e malas, estar apaixonada, banhos de imersão, ir à praia, os filmes do Tim Burton, andar na rua a ouvir música aos berros, girassóis e tulipas, estar sozinha, jantaradas com amigos ou família, decoração, dormir abraçada, ver filmes em casa, o cheiro a eucalipto, a pronúncia do norte, estar na cama na ronha, sumos naturais, cozinhar, dançar, decotes e vestidos, batatas fritas, desenhos animados e filmes de animação, mexerem-me no cabelo, a mousse de chocolate e o souflé de atum da minha mãe, confiar, chegar a casa e ter quem me espere, gatos, música, sentir-me protegida, o silêncio, unhas vermelhas, viajar, conversar durante horas sem que o assunto se esgote, sentir-me única, dar sem esperar contrapartidas, sentir o vento no cabelo, amar, observar pessoas, fotografar, chorar até não ter mais lágrimas, chamuças, as minhas caixas de recordações, fazer coisas especiais a pessoas especiais, lençóis lavados com cheiro a amaciador, ser a primeira a usar a casa de banho depois de limpa, sonhar acordada, uma boa discussão, descobrir um novo amigo .... se de mais nada gostasse podia dizer que gosto de mim e de ti e seria mais do que suficiente.
Ignorei a pergunta descabida para alguém que me conhece há anos. Mas do meu pensamento não saiam as centenas, talvez milhares, de coisas de que gosto.
Os dias de frio com sol, o cheiro a terra molhada, os morangos frescos e doces, beijos na boca, nadar em água transparente, dormir no sofá, andar à chuva, o cheiro a limpo, sinceridade, comida bem temperada, rir, a canja da minha avó, crianças, pés molhados, sapatos e malas, estar apaixonada, banhos de imersão, ir à praia, os filmes do Tim Burton, andar na rua a ouvir música aos berros, girassóis e tulipas, estar sozinha, jantaradas com amigos ou família, decoração, dormir abraçada, ver filmes em casa, o cheiro a eucalipto, a pronúncia do norte, estar na cama na ronha, sumos naturais, cozinhar, dançar, decotes e vestidos, batatas fritas, desenhos animados e filmes de animação, mexerem-me no cabelo, a mousse de chocolate e o souflé de atum da minha mãe, confiar, chegar a casa e ter quem me espere, gatos, música, sentir-me protegida, o silêncio, unhas vermelhas, viajar, conversar durante horas sem que o assunto se esgote, sentir-me única, dar sem esperar contrapartidas, sentir o vento no cabelo, amar, observar pessoas, fotografar, chorar até não ter mais lágrimas, chamuças, as minhas caixas de recordações, fazer coisas especiais a pessoas especiais, lençóis lavados com cheiro a amaciador, ser a primeira a usar a casa de banho depois de limpa, sonhar acordada, uma boa discussão, descobrir um novo amigo .... se de mais nada gostasse podia dizer que gosto de mim e de ti e seria mais do que suficiente.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
É Sábado, vim trabalhar como sempre.
A porta pesada, que se arrasta ao abrir, cria a expectativa de que estará do outro lado.
O ambiente aqui dentro é acolhedor, a alma das pessoas que por aqui passaram e passam, está agarrada às paredes altissímas, pintadas de tons coloridos.
A sala de chá está vazia hoje. Não se ouve o burburinho das vozes e os risos, nem se sente o aroma a chá quente e a convívio.
Na sala grande decorre um curso de perspectiva. Os alunos, muito concentrados, aprendem as linhas condutoras da realidade à sua volta. Os fios invisiveis, que tocam o nosso olhar, sem que nos apercebamos da sua existência.
Aprendem as inclinações e os planos da vida e como ter um olhar de quem realmente vê, e não de quem se limita a olhar.
A professora, alta e loira, parece saida de um qualquer colégio inglês. Fala com os alunos num tom de voz tímido mas firme. E os seus passos, que mal se ouvem, dão a sensação de que flutua pela sala.
Está tanto vento que me sinto como se estivesse dentro de uma caixa de papel. Sentada ao computador vou respondendo aos e-mails que chegaram durante a noite.
O ar entra pelas frinchas das janelas e os vidros abanam. As folhas de papel mexem-se sozinhas como se alguém estivesse a soprar constantemente.
A chuva anunciada para a madrugada de hoje tarda a vir, e ainda bem...
A porta pesada, que se arrasta ao abrir, cria a expectativa de que estará do outro lado.
O ambiente aqui dentro é acolhedor, a alma das pessoas que por aqui passaram e passam, está agarrada às paredes altissímas, pintadas de tons coloridos.
A sala de chá está vazia hoje. Não se ouve o burburinho das vozes e os risos, nem se sente o aroma a chá quente e a convívio.
Na sala grande decorre um curso de perspectiva. Os alunos, muito concentrados, aprendem as linhas condutoras da realidade à sua volta. Os fios invisiveis, que tocam o nosso olhar, sem que nos apercebamos da sua existência.
Aprendem as inclinações e os planos da vida e como ter um olhar de quem realmente vê, e não de quem se limita a olhar.
A professora, alta e loira, parece saida de um qualquer colégio inglês. Fala com os alunos num tom de voz tímido mas firme. E os seus passos, que mal se ouvem, dão a sensação de que flutua pela sala.
Está tanto vento que me sinto como se estivesse dentro de uma caixa de papel. Sentada ao computador vou respondendo aos e-mails que chegaram durante a noite.
O ar entra pelas frinchas das janelas e os vidros abanam. As folhas de papel mexem-se sozinhas como se alguém estivesse a soprar constantemente.
A chuva anunciada para a madrugada de hoje tarda a vir, e ainda bem...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Os autocarros podem ser sítios estranhos, onde nos sentimos como se fôssemos transportados numa nave espacial vinda de outro mundo.
Hoje tive essa sensação ao voltar para casa. O autocarro estava anormalmente cheio. À minha frente, entrou uma família, julgo que avós, filha e o neto. Por coincidência ficaram sentados mesmo à minha frente o que fez com que fosse inevitável observá-los e escutar o vomitar de palavras sem nexo, para qualquer pessoa minimamente normal.
A avó tinha-se esquecido de pentear o cabelo que se colava à cara e que "abria" no alto da sua cabeça, mostrando o couro cabeludo. As madeixas, em dois castanhos completamente opostos, coroavam este cenário.
Ao lado sentava-se a filha, cuja raiz do cabelos frisados e mal pintados, ia desde o couro cabeludo até a 3/4 do comprimento do cabelo. O que fazia com que o cabelo fosse grisalho até mais de metade e depois dum tom estranhíssimo de castanho alourado. Usava um anorak dum tom gasto de vermelho, cujas mangas dobradas exibiam um forro às florzinhas azuis. Os mocassins de Verão, amarelos, e as calças de ganga curtas deixavam ver umas meias castanhas com uns ursinhos.
O Avô, sentado no lado oposto, levava uma bóina que parecia ter ganho vida e adquirido as características do cabelo do velhote, parecendo ela própria ter caspa.
O neto...confesso que quando olhei para ele antes de entrar no autocarro pensei: coitadinho é deficiente!
Devia ter uns 14 anos. O cabelo encaracolado e espesso não devia ser lavado ha cerca de 2 ou 3 dias. A boca estava sempre aberta, como se lhe fosse impossível respirar se a fechasse, e o lábios sempre húmidos, como uma criança que se baba constantemente.
Não bastando este cenário de horror, esta família foi o caminho todo, desde a Praça da Figueira até Belém a comentar os horário de TODOS os autocarros, o local para onde ia cada um e se era normal aquele autocarro passar por ali ou não. Mostrando-se espantadissímos cada vez que surgia um número novo!
Do mais novo ao mais velho, todos pareciam mergulhado num estado de estupidez colectiva...
Hoje tive essa sensação ao voltar para casa. O autocarro estava anormalmente cheio. À minha frente, entrou uma família, julgo que avós, filha e o neto. Por coincidência ficaram sentados mesmo à minha frente o que fez com que fosse inevitável observá-los e escutar o vomitar de palavras sem nexo, para qualquer pessoa minimamente normal.
A avó tinha-se esquecido de pentear o cabelo que se colava à cara e que "abria" no alto da sua cabeça, mostrando o couro cabeludo. As madeixas, em dois castanhos completamente opostos, coroavam este cenário.
Ao lado sentava-se a filha, cuja raiz do cabelos frisados e mal pintados, ia desde o couro cabeludo até a 3/4 do comprimento do cabelo. O que fazia com que o cabelo fosse grisalho até mais de metade e depois dum tom estranhíssimo de castanho alourado. Usava um anorak dum tom gasto de vermelho, cujas mangas dobradas exibiam um forro às florzinhas azuis. Os mocassins de Verão, amarelos, e as calças de ganga curtas deixavam ver umas meias castanhas com uns ursinhos.
O Avô, sentado no lado oposto, levava uma bóina que parecia ter ganho vida e adquirido as características do cabelo do velhote, parecendo ela própria ter caspa.
O neto...confesso que quando olhei para ele antes de entrar no autocarro pensei: coitadinho é deficiente!
Devia ter uns 14 anos. O cabelo encaracolado e espesso não devia ser lavado ha cerca de 2 ou 3 dias. A boca estava sempre aberta, como se lhe fosse impossível respirar se a fechasse, e o lábios sempre húmidos, como uma criança que se baba constantemente.
Não bastando este cenário de horror, esta família foi o caminho todo, desde a Praça da Figueira até Belém a comentar os horário de TODOS os autocarros, o local para onde ia cada um e se era normal aquele autocarro passar por ali ou não. Mostrando-se espantadissímos cada vez que surgia um número novo!
Do mais novo ao mais velho, todos pareciam mergulhado num estado de estupidez colectiva...
Reparei em ti no eléctrico. O olhar distante e triste, a cara inchada pelas horas de sono perdidas. Parecia que carregavas às costas todos os problemas do mundo.
De vez em quando o teu olhar tinha um brilhozinho, como se, de repente, encontrasses a solução para algo que te preocupava. Esse brilho durava apenas um segundo, mas tornava-te, por instantes, noutra pessoa.
Uns olhos pequenos e doces surgiam no meio da névoa que era a tua expressão há minutos atrás.
Duvido que estivesses a ouvir a música que os teus headphones gritavam. Olhavas pela janela e procuravas uma réstia de sol que teimava em não aparecer. Pingos grossos de chuva começaram a bater no vidro.....
Suspiraste e puseste uns óculos de sol que te tapavam quase toda a cara, redonda e jovem. Mas nem esses conseguiam esconder-TE. Encostaste a cabeça ao vidro e perdi de novo os teus olhos cor de amêndoa.
De vez em quando o teu olhar tinha um brilhozinho, como se, de repente, encontrasses a solução para algo que te preocupava. Esse brilho durava apenas um segundo, mas tornava-te, por instantes, noutra pessoa.
Uns olhos pequenos e doces surgiam no meio da névoa que era a tua expressão há minutos atrás.
Duvido que estivesses a ouvir a música que os teus headphones gritavam. Olhavas pela janela e procuravas uma réstia de sol que teimava em não aparecer. Pingos grossos de chuva começaram a bater no vidro.....
Suspiraste e puseste uns óculos de sol que te tapavam quase toda a cara, redonda e jovem. Mas nem esses conseguiam esconder-TE. Encostaste a cabeça ao vidro e perdi de novo os teus olhos cor de amêndoa.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
MONÓLOGO DE UMA MULHER MODERNA:
São 5h30 da manhã, o despertador não pára de tocar e não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou acabada. Não quero ir trabalhar hoje. Quero ficar em casa, a cozinhar, a ouvir música, a cantar, etc. Se tivesse um cão levava-o a passear nos arredores. Tudo, menos sair da cama, meter a primeira e ter de por o cérebro a funcionar.
Gostava de saber quem foi a bruxa imbecil, a matriz das feministas que teve a ideia de reivindicar os direitos da mulher e porque o fez connosco que nascemos depois dela? Estava tudo tão bem no tempo das nossas avós, elas passavam o dia todo a bordar, a trocar receitas com as suas amigas, ensinando-se mutuamente segredos de condimentos, truques, remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos seus maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, recolhendo legumes das hortas e educando os filhos. A vida era um grande curso de artesãos, medicinas alternativas e de cozinha.
Depois, ainda ficou melhor, tivemos os serviços, chegou o telefone, as telenovelas, a pílula, o centro comercial, o cartão de credito, a Internet! Quantas horas de paz a sós e de realização pessoal nos trouxe a tecnologia!
Até que veio uma tipa, que pelos vistos não gostava do corpinho que tinha, para contaminar as outras rebeldes inconsequentes com ideias raras sobre 'vamos conquistar o nosso espaço'... Que espaço?! Que caraças! Se já tínhamos a casa inteira, o bairro era nosso, o mundo a nossos pés!
Tínhamos o domínio completo dos nossos homens, eles dependiam de nós para comer, para se vestirem e para parecerem bem à frente dos amigos... E agora, onde é que eles estão? Agora eles estão confundidos, não sabem que papel desempenham na sociedade, fogem de nós como o diabo da cruz. Essa piada, acabou por nos encher de deveres. E o pior de tudo é que acabou nos lançando no calabouço da solteirice crónica aguda!
Antigamente, os casamentos eram para sempre. Porquê? Digam me porquê... Um sexo que tinha tudo do melhor, que só necessitava de ser frágil e deixar-se guiar pela vida começou a competir com os machos... A quem ocorreu tal ideia? Vejam o tamanhão dos bíceps deles e vejam o tamanho dos nossos! Estava muito claro que isso não ia terminar bem.
Não aguento mais ser obrigada ao ritual diário de ser magra como uma escova de dentes, mas com as mamas e o rabo rijos, para o qual tenho que me matar no ginásio, ou de juntar dinheiro para fazer uma mamoplastia, uma lipo, ou implantes nas nádegas... Alem de morrer de fome, pôr hidratantes anti-rugas, padecer do complexo do radiador velho a beber água a toda a hora e, acima de tudo, ter armas para não cair vencida pela velhice, maquilhar-me impecavelmente cada manhã desde a cara ao decote, ter o cabelo impecável e não me atrasar com as madeixas, que os cabelos brancos são pior que a lepra, escolher bem a roupa, os sapatos e os acessórios, não vá não estar apresentável para a reunião do trabalho. E não só mas também, ter que decidir que perfume combina com o meu humor, ter de sair a correr para ficar engarrafada no transito e ter que resolver metade das coisas pelo telemóvel, correr o risco de ser assaltada ou de morrer numa investida de um autocarro ou de uma mota, instalar-me todo o dia em frente ao PC, trabalhar como uma escrava, moderna claro está, com um telefone ao ouvido a resolver problemas uns atrás dos outros, que ainda por cima não são os meus problemas!!! Tudo, para sair com os olhos vermelhos - pelo monitor, porque para chorar de amor não há tempo!
E olhem que tínhamos tudo resolvido... Estamos a pagar o preço por estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, perfumadas, unhas perfeitas, operadas, sem falar do currículo impecável, cheio de diplomas, de doutoramentos e especialidades, tornámo-nos super-mulheres, mas continuamos a ganhar menos que eles e, de todos os modos, são eles que nos dão ordens!!!! Que desastre! Não seria muito melhor continuar a cozer numa cadeira?? Basta!!!
Quero alguém que me abra a porta para que possa passar, que me puxe a cadeira quando me vou sentar, que mande flores, cartinhas com poesias, que me faça serenatas à janela! Se nós já sabíamos que tínhamos um cérebro e que o podíamos utilizar, para quê ter que demonstra-lo a eles??
Ai meu Deus, são 6h10 e tenho que me levantar da cama... Que fria está esta solitária e enorme cama! Ahhhh... Quero um maridinho que chegue do trabalho, que se sente ao sofá e me diga: 'Meu amor não me trazes um whisky por favor?' ou 'O que há para jantar?'... Porque descobri que é muito melhor servir-lhe um jantar caseiro do que abocanhar uma sanduíche e beber uma Coca-Cola light, enquanto termino o trabalho que trouxe para casa.
Pensas que estou a ironizar ou a exagerar? Não, minhas queridas amigas, colegas inteligentes, realizadas, liberais e idiotas! Estou a falar muito seriamente...
Abdico do meu posto de mulher moderna. E digo mais: A maior prova da superioridade feminina era o facto de os homens esfalfarem-se a trabalhar para sustentar a nossa vida boa!
Agora somos iguais a eles!
São 5h30 da manhã, o despertador não pára de tocar e não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou acabada. Não quero ir trabalhar hoje. Quero ficar em casa, a cozinhar, a ouvir música, a cantar, etc. Se tivesse um cão levava-o a passear nos arredores. Tudo, menos sair da cama, meter a primeira e ter de por o cérebro a funcionar.
Gostava de saber quem foi a bruxa imbecil, a matriz das feministas que teve a ideia de reivindicar os direitos da mulher e porque o fez connosco que nascemos depois dela? Estava tudo tão bem no tempo das nossas avós, elas passavam o dia todo a bordar, a trocar receitas com as suas amigas, ensinando-se mutuamente segredos de condimentos, truques, remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos seus maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, recolhendo legumes das hortas e educando os filhos. A vida era um grande curso de artesãos, medicinas alternativas e de cozinha.
Depois, ainda ficou melhor, tivemos os serviços, chegou o telefone, as telenovelas, a pílula, o centro comercial, o cartão de credito, a Internet! Quantas horas de paz a sós e de realização pessoal nos trouxe a tecnologia!
Até que veio uma tipa, que pelos vistos não gostava do corpinho que tinha, para contaminar as outras rebeldes inconsequentes com ideias raras sobre 'vamos conquistar o nosso espaço'... Que espaço?! Que caraças! Se já tínhamos a casa inteira, o bairro era nosso, o mundo a nossos pés!
Tínhamos o domínio completo dos nossos homens, eles dependiam de nós para comer, para se vestirem e para parecerem bem à frente dos amigos... E agora, onde é que eles estão? Agora eles estão confundidos, não sabem que papel desempenham na sociedade, fogem de nós como o diabo da cruz. Essa piada, acabou por nos encher de deveres. E o pior de tudo é que acabou nos lançando no calabouço da solteirice crónica aguda!
Antigamente, os casamentos eram para sempre. Porquê? Digam me porquê... Um sexo que tinha tudo do melhor, que só necessitava de ser frágil e deixar-se guiar pela vida começou a competir com os machos... A quem ocorreu tal ideia? Vejam o tamanhão dos bíceps deles e vejam o tamanho dos nossos! Estava muito claro que isso não ia terminar bem.
Não aguento mais ser obrigada ao ritual diário de ser magra como uma escova de dentes, mas com as mamas e o rabo rijos, para o qual tenho que me matar no ginásio, ou de juntar dinheiro para fazer uma mamoplastia, uma lipo, ou implantes nas nádegas... Alem de morrer de fome, pôr hidratantes anti-rugas, padecer do complexo do radiador velho a beber água a toda a hora e, acima de tudo, ter armas para não cair vencida pela velhice, maquilhar-me impecavelmente cada manhã desde a cara ao decote, ter o cabelo impecável e não me atrasar com as madeixas, que os cabelos brancos são pior que a lepra, escolher bem a roupa, os sapatos e os acessórios, não vá não estar apresentável para a reunião do trabalho. E não só mas também, ter que decidir que perfume combina com o meu humor, ter de sair a correr para ficar engarrafada no transito e ter que resolver metade das coisas pelo telemóvel, correr o risco de ser assaltada ou de morrer numa investida de um autocarro ou de uma mota, instalar-me todo o dia em frente ao PC, trabalhar como uma escrava, moderna claro está, com um telefone ao ouvido a resolver problemas uns atrás dos outros, que ainda por cima não são os meus problemas!!! Tudo, para sair com os olhos vermelhos - pelo monitor, porque para chorar de amor não há tempo!
E olhem que tínhamos tudo resolvido... Estamos a pagar o preço por estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, perfumadas, unhas perfeitas, operadas, sem falar do currículo impecável, cheio de diplomas, de doutoramentos e especialidades, tornámo-nos super-mulheres, mas continuamos a ganhar menos que eles e, de todos os modos, são eles que nos dão ordens!!!! Que desastre! Não seria muito melhor continuar a cozer numa cadeira?? Basta!!!
Quero alguém que me abra a porta para que possa passar, que me puxe a cadeira quando me vou sentar, que mande flores, cartinhas com poesias, que me faça serenatas à janela! Se nós já sabíamos que tínhamos um cérebro e que o podíamos utilizar, para quê ter que demonstra-lo a eles??
Ai meu Deus, são 6h10 e tenho que me levantar da cama... Que fria está esta solitária e enorme cama! Ahhhh... Quero um maridinho que chegue do trabalho, que se sente ao sofá e me diga: 'Meu amor não me trazes um whisky por favor?' ou 'O que há para jantar?'... Porque descobri que é muito melhor servir-lhe um jantar caseiro do que abocanhar uma sanduíche e beber uma Coca-Cola light, enquanto termino o trabalho que trouxe para casa.
Pensas que estou a ironizar ou a exagerar? Não, minhas queridas amigas, colegas inteligentes, realizadas, liberais e idiotas! Estou a falar muito seriamente...
Abdico do meu posto de mulher moderna. E digo mais: A maior prova da superioridade feminina era o facto de os homens esfalfarem-se a trabalhar para sustentar a nossa vida boa!
Agora somos iguais a eles!
Há pessoas que passam na nossa vida e que gostaríamos de manter sempre por perto...
Pessoas a quem nos podemos dar como somos, com quem não usamos máscaras e que nos aceitam com todas as particularidade do nosso eu mais profundo.
Essas pessoas, raras excepções num mundo que vive de aparências e fingimentos, nem sempre ficam por perto como desejamos. Representam relações frágeis, devido à sua singularidade. E assim, basta um momento de menor dedicação para que uma relação tão especial como esta caia em ruínas.
Ao contrário da maioria das relações, no momento em que as fundações desabam, não há nada que se possa fazer ou dizer para as voltar a erguer. A perda é irremediável e simboliza uma dor que nos acompanha para sempre...
Pessoas a quem nos podemos dar como somos, com quem não usamos máscaras e que nos aceitam com todas as particularidade do nosso eu mais profundo.
Essas pessoas, raras excepções num mundo que vive de aparências e fingimentos, nem sempre ficam por perto como desejamos. Representam relações frágeis, devido à sua singularidade. E assim, basta um momento de menor dedicação para que uma relação tão especial como esta caia em ruínas.
Ao contrário da maioria das relações, no momento em que as fundações desabam, não há nada que se possa fazer ou dizer para as voltar a erguer. A perda é irremediável e simboliza uma dor que nos acompanha para sempre...
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